sexta-feira, 18 de julho de 2008

Nem tudo corre bem...The day after!

Depois da primeira noite na casa e de tomar banho de agua fria por não saber como se ligava o cilindro, tive uma manhã bastante desagradável. Ao sair de casa sem o pequeno almoço tomado (o que muito raramente acontece) dei de caras com a minha carrinha Mitsubishi L200 com o vidro traseiro partido e os dois espelhos retrovisores roubados!!! FIQUEI FULO!!! Tive de telefonar ao Departamento Logístico que me ajudou a resolver a situação de forma rápida. Depois de encaminhar todo o processo com a ajuda do ppl da empresa fui até à FILDA (Feira Internacional de LuanDA) onde estava uma comitiva de gente de vários quadrantes sociais e políticos. Conheci diversas pessoas e fiz contactos importantes através de 2 colegas de trabalho com quem ia a reboque...desde o empresário ao Embaixador de Espanha passando por Ministros dos Negócios Estrangeiros, parecia um verdadeiro carrocel...até cheguei a "conhecer" pessoalmente pessoas com quem já tinha tido o prazer de falar via telefone ainda em Portugal! Até o Primeiro Ministro de Portugal – Eng. José Sócrates lá andava! Mas o Mundo aqui é ainda mais pequeno e os conhecidos esbarram-se...no final do dia ainda deu tempo de fazer umas compras, jantar em casa da Rita e escrever um pouco no blog! Assim é o dia-a-dia de uma nova etapa na minha vida que tenho o privilegio de partilhar convosco.

quinta-feira, 17 de julho de 2008

As fotos da casa

Mudei de Casa

Mudei de casa!

Hoje vim dormir à minha casa nova! É um apartamento T1 que foi remodelado para mim!!! Que fixe. Um obrigado a quem teve o bom gosto de proporcionar este ambiente! Agora está mesmo novo e tenho de comprar umas coisinhas para lhe dar vida de forma a ficar mais acolhedor e lhe poder chamar “o meu lar” de Angola! Depois vou convidar pessoas amigas para lhe dar o cheiro da utilização...da vida...da mitchês! Convido-vos a entrar. Não posso oferecer bebidas porque não estão frescas. Ainda não tive tempo de fazer gelo!!! Estou à espera de morangos de Portugal para fazer uma Morangosta, como já foi prometido!!! Porque a vida não pára, prometo dar noticias das mudanças que se vão fazendo...beijos e abraços!

Agradeço as palavras de incentivo que me têm enviado com a última alteração da minha vida! Obrigado.

sexta-feira, 4 de julho de 2008

“A quem muda Deus ajuda!”- lá dizem por terras portuguesas aqueles que mais conhecimentos têm... eu por cá posso dizer que, por agora, estou a gostar! Desde que deixaram de contribuir com os meus serviços que tive a possibilidade de me dedicar mais a mim! Fui cortar o cabelo pela 1ª vez (já estava mesmo grande, tipo permanente dos anos 70) e não correu muito mal...e nem foi caro... 7 €. Mudei de casa para uma situação temporária. Quem diria que estaria a viver em Angola com uma Mitchada! A Rita acolheu-me de braços abertos e tenho direito a cama, comida e roupa lavada. Um Muito Obrigado pelos pequenos almoços e pelo jantar de hoje com o toque especial do arroz “basmati” e da meloa de sobremesa! Gracias! Agora é tempo de encarar novos desafios! Fica o meu novo contacto para aqueles que não tive o tempo de avisar das minhas alterações! +244 917 750 046. Para os Mitchados espalhados pelo Mundo, um grande abraço e força nas vossas convicções.

domingo, 29 de junho de 2008

Saída da MonteAdriano

A vida é cheia de mudanças e elas não acontecem em vão. Este último mês tem sido profícuo em alterações na minha vida pessoal e profissional... Vou sair da empresa MonteAdriano e ingressar num novo desafio... Vou continuar em Angola, neste país com excelentes potencialidades de negocio e de relações interpessoais. Foi um tema pouco abordado neste blog - o das relações interpessoais. Neste grande país, longe da família, amigos e colegas habituais de trabalho nós predispomo-nos a abrir o nosso coração e receber amizades com uma facilidade incrível. Desde o último post já acampei com actuais novos amigos, fui a festas de aniversário sem conhecer o aniversariante, convidei pessoas para jogar à bola através de outros amigos, fui confidente de conflitos amorosos de diversos níveis....e até ...conheci a Sofia Aparício numa noite no Palos...que noite...um copo daqui e outro dali e estava eu a dançar em cima do Palco...a dança foi uma forma de exteriorizar todo um aglomerado de sentimentos transformados em movimentos curvilíneos ao ritmo da batida...correu bem, pois fui apelidado de sex appeal – “Quem eu?” perguntava quando me abordaram noutra discoteca. – “Deves estar enganada!” – retorquia mais uma vez! Mas mesmo no trabalho as relações são importantes para o sucesso de uma organização. Falo daquilo que sinto pois o trabalho acaba por ser a nossa vida, uma vez que trabalhamos num país onde aterramos à relativamente pouco tempo e nos encontramos a estabelecer novos laços... É fundamental uma pessoa saber para que trabalha, conhecer o objectivo da empresa e saber como pode contribuir para que esse objectivo seja concretizado. O meu objectivo pessoal e o sentimento de realização já não estavam a ser saciados e nada melhor que uma mudança para renascer o espírito empreendedor dentro de mim. Até as coisas a nível afectivo ganham outro dinamismo e outro significado. Quando acordo cresci mais um pouco, Ontem vivi mais uma lição Quer no trabalho quer com amigos E sobre assuntos do coração. As relações são do mais importante Das profissionais às pessoais, O que queremos mais na vida É ser felizes cada vez mais. A todos os meus colegas, Um grande Muito Obrigado, Foi a minha primeira empresa, Onde aprendi a deixar legado. Novo futuro se avizinha, Num país promissor, O desenrolar das relações, Torna-se mais veloz q’a dor.

sexta-feira, 9 de maio de 2008

quarta-feira, 7 de maio de 2008

Fotos de Huambo

Já me encontro em Luanda! Antes de me alongar no Blog queria deixar o meu MUITO OBRIGADO à Aimy e ao Henrique que me receberam na EcoMansão com um requinte especial. Tive o privilégio de saborear comida peruana “patata rellena” que é de comer e chorar por mais e ainda outro prato que destaco do cheff Henrique - empadão de arroz - que foi composto com carne da “Posta à Mirandesa” que experimentamos no Central. Foram uns dias que deram para parar e descansar… Conheci o Estaleiro da empresa, bem como a Filial de Huambo, que já tem melhores condições que Luanda…. Mas o que realmente realço é a calma, a paz e o clima da Cidade que se encontra bem mais destruída mas com um potencial de investimento grandioso. Para quem gosta de estar com a família e ver um filme ao final do dia em casa, não há melhor. Se preferirem ir até ao Casino, ver um cinema ou tomar um copo numa discoteca e dançar um pouco...então esqueçam! Há outros prazeres que em Huambo têm outro sabor.

domingo, 4 de maio de 2008

Sentimentos que percorrem a alma em Huambo

Aqui por Huambo há tempo para tudo... o trabalho corre de forma diferente e existe tempo para pensar no que queremos efectivamente fazer da nossa vida. A razão de estar em Angola é uma pergunta que deverá ser feita a todos aqueles que me acompanham nesta jornada! Existem objectivos de vida pessoais que acompanham a carreira profissional, mas quando esses caminham não seguem a mesma direcção há que pensar e reflectir se realmente vale a pena o esforço de continuar afastado dos entes queridos e do nosso país. Esta vinda ao planalto do Huambo abriu-me os olhos em determinados aspectos em que eu estava cego. As emoções e as razões que a mãe razão desconhece, são muitas vezes o motivo de tomadas de decisões que mudam a nossa vida. Temos é de ser capazes de saber aquilo que verdadeiramente queremos e os motivos que nos levam a decidir por determinado objectivo. São agora 5:30 da manha de Domingo e eu acompanhei a vivência de muitos colegas nesta localidade pacata onde existe muito a fazer. Mas não basta fazer, pois o que fica é a forma como se fazem as coisas e como elas “ficam visíveis” a quem nos acompanha. Gostava eu de encontrar a minha baliza para poder preparar o remate e marcar golo, caso contrario poderei sentir a necessidade de mudar de equipa…

quinta-feira, 1 de maio de 2008

Início da Viagem para Huambo

Muito eu aqui vivo e pouco escrevo. Estou agora no aeroporto de voos domésticos em direcção ao Huambo onde a minha empresa tem o seu núcleo e a sua força. Aqui por Luanda poucos ficaram e o meu cumprimento vai para aqueles que se encontram de férias em Portugal, mas nada disseram até então. Um abraço especial para o Ricardo que se viu forçado a permanecer em Portugal dada uma dor que lhe ocorreu após um jogo de futebol…as rápidas melhoras. Agora uma palavra de apreço pelo colega Peewee que nos deixou dado que este desafio não se enquadrava nos seus planos de vida, actualmente. Fica o repto de um regresso para outra aposta… Ás Ritas, ao Vítor, ao Luís, à Nadia, ao Fernando, à Carla e ao Jorge – que aproveitem e regressem cheios de energia e de ideias novas para partilhar com os que cá ficaram a aguentar o barco. Os dias vão passando e vou conhecendo cada vez mais restaurantes, bares / fornecedores e subempreiteiros. Estive há dias no Coconuts onde tive o privilégio de apreciar um Cherne com banana perfumado com Maracujá – brutal! Para sobremesa ficou o Petit Gateaux que foi solicitado a muito custo ao cozinheiro pois não tinha o forno a trabalhar a 100%. Ainda esta semana dei por mim a beber um vinho do Porto de 1982 – Vintage numa discoteca….ainda me perguntei se seria possível e fui abrir uma nova garrafa pessoalmente! Era tão doce que no dia seguinte ainda sentia “cola” nos lábios. Vou agora partir para um novo episódio na minha estadia em Angola que gerará novas histórias sendo que umas ficam na memória durante algum tempo, umas perduram mas outras esquecem-se.

sábado, 19 de abril de 2008

De volta a Angola!

È incrível como o tempo passa... O meu último Post falava do meu “Regresso a Portugal”!... Foram 2 semanas super rápidas a andar de um lado para outro no País à beira mar plantado. Uma Páscoa que já lá vai e o reencontrar de uma família. Foi tão bom, que sempre que quero viajar, basta fechar os olhos e voar! Em Angola desde o dia 6 de Abril os acontecimentos sucedem-se a ritmo alucinante…já me assaltaram o jipe para me roubar o rádio e o telefone, já me bateram na porta dando origem a uma perseguição tipo filme…2 fins de semana passados e 2 aventuras vividas…os jogos de Poker a polvilhar o aroma de diversão e entretenimento para dar energias de forma a conseguir aguentar estas semanas de trabalho numa cidade cada vez mais populosa, mais caótica e mais perigosa!...

sábado, 22 de março de 2008

De regresso a Portugal

Cheguei ontem a Portugal para surpresa dos que me amam. Foi uma experiência única e irrepetível que passo a partilhar convosco. Decidi fazer esta viagem à cerca de 2 semanas e depois de ter a devida autorização, foi só marcar a viagem. Ainda dei algumas pistas através de um poema que enviei para comemorar o dia do Pai, mas ninguém desconfiou… A noite de 20 para 21 começou com a jantarada do Bacalhau com Natas onde estiveram presentes os 8 da vigairada: o Ricardo, o Sérgio, as 2 Ana Rita, a Márcia, o Paulo, o Zé e eu. No início comecei eu a cozinhar mas tenho que agradecer à Rita e ao Ricardo que me substituíram devido à minha indisposição momentânea. Antes disso tinha ido à Clínica de Alvalade fazer o teste do Paludismo. Fui picar o dedo, recolher uma gota de sangue e aguardar 40 min. para saber que não tinha a famosa doença africana, embora mantivesse uma grande moleza por todo o corpo. Pressuponho que se tenha devido ao sol que apanhei durante a manhã!... Depois do jantar na mesa, juntei-me ao grupo e provei o pitéu. Muito bom! Parabéns aos cozinheiros. Ainda ouvimos uns Kizombas, dançamos e bebemos uns canecos. Fomos até minha casa onde nos separamos, tendo uns continuado a Night no Palos , outros tornado ao vale dos lençóis e eu fiquei para fazer a mala tendo o Ricardo permanecido, dada a minha moléstia. Acabei de fazer a mala põe volta das 4 da matina deitei-me durante 1 hora e pouco, tendo o Rui aparecido em casa pelas 6:15 para me levar ao Aeroporto 4 de Fevereiro. Com uma soneira considerável e uma mala para carregar fui abordado por um jovem que me facilitou a entrada na zona de check-in mediante uma gratificação que me evitou mais de 20 minutos de espera. Eram 7:15 e já estava na zona de embarque esperando que o voo não se atrasasse. Tal não aconteceu pois saí de Luanda às 9:30. A viagem decorreu rapidamente – dormir, comer, dormir, comer e ainda vi dois filmes pelo meio – as 8 h de viagem assim se passaram… Em Lisboa ainda houve tempo para comprar um relógio para me orientar na minha estadia em Portugal. Uma nova jornada agora a bordo do Boeing “Almada Negreiros” e estava no Porto pelas 18h. Ao passar pela Alfandega fui ainda abordado, pela primeira vez, para abrir a mala. Esse tempo foi desperdiçado indevidamente pois quando cheguei à Estação de Campanhã, depois de ter apanhado o metro, o comboio das 20h tinha saído à menos de 5 minutos… Fiquei irritado mas, sempre nas calmas…Comprei um livro “Fantasmas” para me rir um pouco com as confidencias sexuais de umas mulheres francesas e os comentários de um sexólogo! Parecia um maluquinho com as risadas que pronunciava no banco da sala de espera e ainda no banco do comboio regional que partiu às 21:56 da linha 13. Eram 23:15 e desci sozinho na Estação de Mosteirô nas encostas do rio Douro. Fria, escura, mas limpa e segura; com a imagem da lua reflectida no rio, iluminando a paisagem...Peguei na mala e caminhei em direcção a casa pela linha do comboio, pensando qual seria o método de abordagem ao chegar ao destino tão ambicionado… Decidi pegar no telemóvel e ligar para casa. A minha mãe atende e à pergunta “Onde estás?” respondi “Benguela”. Nesse entretanto desloco-me para junto da janela da sala e bato. "Toc, Toc" na persiana. Conseguia ouvir o meu próprio bater através do meu telefone! A minha desconfiou e ainda perguntou “És tu?”. Eu desliguei e tentaram abrir a porta da cozinha para saber quem estava do lado de fora. Esforços infrutíferos pois foi necessário o meu pai deslocar-se pela porta principal para averiguar quem estaria a bater e não dizia quem era. Como a zona era escura a abordagem foi efectuada com cuidado. Depois de me reconhecer (dado que eu dificultei a tarefa mantendo-me ligeiramente agachado) foi uma explosão de alegria culminada com abraços e sorrisos. Demos a volta para entrar pela porta principal e já se encontrava a minha mãe com os nervos a percorrer o corpo. A minha avó tinha os olhos a brilhar por ver o netinho mais velho inteirinho vindo de Africa. Nem queriam acreditar! Fruto disso foram os beliscos que sofri! Mas naquela altura desculpei tudo. Como a minha mana e os primos Luís e Zé não estavam em casa liguei-lhes e mantiveram-se estupefactos até me verem em carne e osso. Foi uma alegria imensa ver a família toda reunida. Fica a foto que tiramos depois de ter repartido os presentes!....
Tozé, Zé, Eduardo, Mitchado, Manuela, Luís, Rosa, Alzira e Anita

sexta-feira, 7 de março de 2008

Comemorar o visto de trabalho!

Ai vida, vida!!!! O que ela é, e o que fazemos com ela… Momentos irrepetíveis são aqueles que vemos e julgamos impossíveis de se concretizarem. Outros aqueles que desfrutamos de tal forma que queremos que nunca acabem…Este feeling surgiu depois da celebração da saída do meu visto de trabalho…pois é…doravante apenas trabalharei, nada de folia e diversão – já tenho “Visto de Trabalho”! Será isso possível para um Mitchado? Não sei. Tudo aqui é novo e temos de aprender a viver de forma diferente. Há quem diga que não gosta disto e afirme que pretende ficar cá uma vida. Outros dizem que é apenas uma etapa passageira de ganhar um pé de meia, mas deixam de viver e usufruir dos momentos para poupar algum… Vejo solteiros como eu, casados com a mulher em Portugal, pares de namorados a construir uma vida, outros casados com a mulher aqui e a viver em casas separadas para não importunar o trabalho, outros com uma mulher cá e outra lá…Vê-se de tudo, mesmo tudo… Só para terem uma ideia – desde um casal a fazer sexo no patamar da escada do prédio, passando pelo jovem a procurar comida no lixo, ao chinês no casino a gastar mais de 3 vezes o seu salário… tudo acontece…tudo se passa, inclusive o policia aceitar um cumprimento e uma bonificação por nos deixar continuar a nossa jornada. Cada um tem de encontrar qual a sua jornada, o seu rumo, o objectivo para o qual enquadram a sua existência e permanência numa realidade tão distinta. Muitos circulam apenas, existem, e vêem passar tudo ao seu lado. Outros intervêm e têm a capacidade de mudar e deixar a sua marca, por vezes indelével mas que altera um futuro que parecia tão semelhante ao presente. Gostaria de ter determinadas forças para poder fazer tudo aquilo que penso…o sonho é um veiculo que circula a velocidade demasiada para ser acompanhado…mas o que mais irrita não é o impossível que deixa de se concretizar mas o alcançável que não apareceu. Vamos fazer com que o alcançável apareça. Com muito trabalho e um pouco de loucura, chegamos lá! PS. Este texto lido por mim, um transmontano, tem uma entoação diferente e um sentimento intenso. Mas tentem… leiam em voz alta e deixem de pensar que o colega do lado lá está! Somos apenas nós e as estrelas!

quarta-feira, 20 de fevereiro de 2008

Pois é! Quase nos 2000 visitantes e de muitos lados do mundo.. Senti que hoje deveria partilhar uma frase:
"Viver é facil, o dificil é saber viver!" que vai de encontro ao que muita gente faz e quando se da conta já era ou já passou onde fica o recado de que "É preciso viver, não apenas existir!".
Permanecer aqui em Angola é um grande desafio. Maior ainda é o de uma pessoa se sentir feliz e realizada. Há momentos em que isso acontece. Fica o objectivo de aumentar esses momentos e recriar outros mais.
Façam o mesmo quando sentirem que a agua parou de correr na cascata pois o moinho não pode parar...

domingo, 10 de fevereiro de 2008

Fotos da Luanda-Namibe-Luanda

Viagem Luanda Namibe

Vou aqui partilhar convosco uma viagem cheia de emoções fortes e adrenalina a vários níveis. Na madrugada de dia 2 de Fevereiro partimos de Luanda em direcção ao Namibe. Eram cerca das 2 horas e estávamos reunidos na Sede da MA com as malas cheias de entusiasmo e ainda umas garrafitas de Smirnof que tinham sobrado da curta passagem pelo Bayin. Pelas 2:30 arrancaram duas viaturas: uma carrinha Mazda com 4 passageiros e um toyota Landcruiser com mais 3, dado que a restante comitiva estava ainda no vale dos lençóis e não dava noticias… O Eduardo tomou a dianteira e saiu disparado chegando à ponte do Kwanza em menos de 1 hora. Nessa altura a Ana dormia….Chegamos ao Sumbe (329 km) pelas 5:55 da manhã e “visitamos” a cidade de carro. Paramos para esperar pelos restantes veículos e juntaram-se a nós mais 1 LandCruiser e um Nissan. Reabastecidos os depósitos dos jipes e os estômagos, arrancamos a ferros uns cafés do empregado da cafetaria. Só duas horas depois é que estávamos a sair do Sumbe, eram já 7:58. Pelas 11:07 após 556 km de estrada em boas condições, chegamos a Benguela e encontramos o Xico com a sua carrinha Toyota e o Paulo com o Toyota Prado. Um pouco mais à frente fizemos uma nova pausa para reabastecimento do estômago com presunto, frango assado, batatas frita, muita fruta, cucas, gasosas, pão e agua! Com 5 carros a rolar na estrada e a ultrapassarem-se uns aos outros, as coisas ainda se tornaram mais bonitas quando a estrada acaba e começa a picada. Não houve Lisboa-Dakar mas tive o privilégio de participar no Luanda-Namibe-Luanda! Era lama, pó, saltos, agua a tornar a visibilidade nula após a passagem de uma poça…adrenalina pura! Pelo km 694 temos um pequeno toque que deu origem a que o outro jipe rebentasse o pneu. Tivemos que “emprestar” o nosso suplente para deixar de ouvir o rapaz e prosseguir a viagem. Mais à frente outra cena de cortar a respiração…o Prado tinha ficado pendurado no talude de escavação apenas com duas rodas. Tivemos de pedir socorro a um Toyota VX equipado com guincho que passava pela zona e a um Hummer H2. Na 1ª tentativa ainda se partiu um cabo de aço mas com a ajuda de uma cinta o VX “sacou” o Prado do talude. Às 20:28, depois de passar por muita chuva e andar por muita lama, chegamos ao Lubango (922 Km).
Quando nos preparávamos para descer a Serra da Leba deparamo-nos com um cenário difícil de descrever. Existia uma cortina de nevoeiro à nossa frente e ninguém se sentia com vontade de a atravessar. Equacionamos a hipótese de voltar para trás mesmo tendo o Hotel já reservado no Namibe. Felizmente apareceu um rapaz da zona que ia atravessar a Serra e regressar a casa. Lá avançamos com os 4 piscas ligados a uma velocidade de 10 a 20 km/h. Para não dar o sono ao condutor (eu) os meus companheiros de viagem fizeram o esforço de cantar umas musiquinhas. Foi tempo de relembrar o tempo da escola com o “Atirei o pau ao gato!”; “O elefante que chateia muita gente!”, entre outros e ainda o tempo da faculdade com o “Estou a estudar para Eng.!”…Depois de muito esforço e passados 1.112 km chegamos ao Namibe pelas 24:28, já dia 3 de Fevereiro. À nossa espera o Xico tinha preparado uma travessa cheia de caranguejos, um coelho do monte e um leitão. Foi de comer e chorar por mais… “Com um pouco de esforço até eu me conseguia habituar a esta vidinha!” dizia eu entre as gargalhadas dos demais presentes….exaustos, os 23 aventureiros pernoitaram no Hotel Moçamedes e num complexo de bungalows. Os dias 3 e 4 foram passados a visitar as redondezas e o deserto do Namibe com o Oásis no seu interior. Paisagens indescritíveis que nem as fotos transportam o seu verdadeiro esplendor. Foi nesse local que comi a melhor Manga até hoje…apanhada do chão, madura, suculenta, descascada com os dentes, boa, mesmo boa!...
Estou a compilar as fotos dos 4 dias de aventuras que colocarei no post seguinte!

sexta-feira, 25 de janeiro de 2008

Tentativa de betonagem

Tinha uma betonagem prevista para as 13:00 de dia 24/01/2008 e enquanto o betão não chegava, pelas 17:55, eu escrevia assim no meu caderno: "A vida é um percurso que se faz caminhando. Ao longo da caminhada podemos parar e escolher um rumo, um objectivo, uma meta. O que agora eu sinto é que não tenho mapa, mas também não me encontro perdido… Limito-me a percorrer a ladeira/trilho que me indicaram e eu aceitei. Tento tirar o maior partido desta oportunidade mas sei que me falta algo!....o quê, não sei… sou optimista por natureza e olho para o que envolve recolhendo os aspectos positivos e suspirando, pensando que os negativos se desvanecerão. Ao mesmo tempo a impotência e a pequenez assombram a minha presença quando constato com realidades quase irreais, impensáveis. Ao ver aqueles que “tudo” têm e não valorizam, nem pensam em nada/ninguém, creio que muito tempo falta para tornar este país num Mundo Melhor…mas ao ver aqueles que nada têm sempre com um sorriso nos lábios, uma vontade de se divertirem e jogar à bola, uma vivacidade que pode ser devidamente encaminhada, para instruir para direccionar este país. Será que eu sou uma pequena peça dessa mudança? Esta é uma das razões porque aqui estou. A auto bomba chegou e são agora 18:06 e tive a informação que os carros de betão vão carregar dentro de momentos. É uma primeira pedra que eu deixo, na qual participo. Será que o meu trilho me leva ao final desta construção? Estarei cá para ver o final do desafio? Só Deus sabe…vamos caminhando com um passo depois do outro e vivendo um dia de cada vez. São agora 21:53 e a primeira pedra ainda não foi lançada…a bomba estava obstruída e não deixava passar o betão. Tive de rejeitar 2 carros de betão e passadas tantas horas ainda não jantei…assim acontece em Angola!"

domingo, 20 de janeiro de 2008

O dia de aniversário

Pois é… o que pode acontecer infelizmente acontece… O dia de aniversário até correu bem tendo sido o almoço num restaurante agradável – Tambarino com os colegas da empresa que se encontravam a trabalhar ao Sábado. Depois fui fazer umas compras para a casa com o Ricardo e deixamos as dele na casa da Sagrada Família. Quando nos deslocávamos para o carro a policia chamou-nos do outro lado da rua para irmos ao seu encontro. Pediram-nos os documentos e nenhum de nós os tinha naquele momento. Fui ao jipe levantar os meus e o Sr. Agente obrigou-me a subir de novo ao 4º andar para ir buscar os do meu colega. Após a análise dos ditos fomos surprendidos com a frase: “Tenho de os multar!”. Eu agarrei na cópia do meu passaporte e disse que hoje não me podia multar porque fazia anos! Ao qual ele retorquio que não me iria multar mas pedia saldo. Terminado mais um episódio caricato, desloquei-me ao Belas Shopping comer um Sundae de chocolate e ver os empreendimentos que actualmente se encontram a construir na zona de Talatona. É uma urbanização pensada e estruturada onde coexistem áreas habitacionais, em condomínios fechados, e parques industriais. Segundo palavras do meu colega: “Esta seria a área ideal para trabalhar! Assim não custava nada!”, http://maexpa.co.ao/pt/empreendimentos/villas-do-atlantico Pelas 21 h reuni alguns colegas e amigos de Angola. Totalizávamos 15 cabeças ao jantar na Pizzaria Padrinho. Foi um jantar de comida Italiana com direito a um bolo de aniversário de massa folhada gentilmente oferecido pela colega Ana. Aproveito e agradeço a todos aqueles familiares e amigos que ligaram ou enviaram SMS’s a felicitar-me pelo dia de aniversário. Eu fiz o mesmo com o amigo, colega e Mitchado Ivo Dias que nasceu exactamente no mesmo dia e é da grandiosa cidade de Bragança!!! Terminado o repasto alguns de nós ainda se aguentaram até ao bar Chill Out na ilha de Luanda. Estava uma noite com uma temperatura amena e possibilitava a bebida de umas Spins mesmo no areal da praia. Mas o pior aconteceu quando regressei ao carro, por volta das 3h e verifiquei que o mesmo tinha sido assaltado pela porta traseira do meu novo jmny que me entregaram com 30 km. (à data de hoje já tem quase 700!). Levaram apenas a máquina fotográfica…mas com o cartão das fotos que ainda não tinha feito o download para o PC…fica a mensagem de nunca levar nada de valor para a night de Luanda e fazer o download periódico da informação disponibilizada em periféricos. No Domingo aproveitei e fui à praia dos Surfistas (a Sul de Caboledo) aproveitar o maravilhoso tempo do mês de Janeiro!!! Ainda me faz um pouco de confusão estar na praia nesta altura do ano e interrogo-me: “Mas o que é que eu fiz para merecer isto?”, é tão bom! Durante a próxima semana tenciono colocar algumas fotos do jantar, cedidas pelas pessoas que levaram os seus aparelhos para o evento dado que as minhas devem estar algures por aí!!!!

sábado, 19 de janeiro de 2008

Um ano mais

Venho agora aqui escrever para dizer que estou um ano mais velho, mais sábio, mais experiente e mais maduro. Há 27 anos atrás estava eu a vir ao mundo e ninguém diria que nesta data estaria em Luanda, Angola. A vida é um poço de surpresas e elas estão sempre a acontecer… Ainda na semana passada tive um acontecimento digno de ser partilhado: Fui ao Bolo-Rei (uma pastelaria junto da Sede) com o colega Ricardo e pedi uma nata e um Compal de Pêssego. Deram-me o ticket e dirigi-me ao balcão ao que me informaram que não dispunham de Compal de Pêssego e apontaram para dois frascos de compal – um de cenoura e outro de ananás. Escolhi o de ananás. Quando vêm com a bandeja para a mesa aparece um compal de manga laranja dado que os de ananás não estavam frescos. Como se isso não bastasse, ao agitar o frasco de vidro este parte-se e inunda o chão e ensopa as calças do meu colega. Só à quarta tentativa é que consegui beber o meu Compal. Tudo pode acontecer mas ainda bem que quase tudo acontece…

terça-feira, 8 de janeiro de 2008

quinta-feira, 6 de dezembro de 2007

O Sentimento do Regresso

Já me encontro em Portugal há uma semana. Acreditem que agora, depois da experiencia em África, sinto-me mais vivo, mais real, com maior vontade de opinar sobre as coisas… Valorizo determinados nadas que pareciam adquiridos à partida. Isto porque as coisas ganham uma relatividade que até aqui não tinham. Já dizia o coiso “Viver não custa, o que custa é saber viver!”.

Para quem a miséria passa ao lado despercebida, para quem não se importa pelo facto de pessoas viverem sem nada e nas condições de insalubridade total, para quem olha para os pés descalços de uma criança e não tem receio que ela se magoe … a essas pessoas nada custa...não sentem…não opinam...não vivem… o difícil - é encarar uma realidade diferente e perceber, compreender e saber que algumas pessoas valorizam mais determinadas coisas ou acontecimentos em detrimento de outros. O Povo Africano vive e procura a felicidade de uma forma diferente. Atingem a Felicidade com maior facilidade que um Europeu... Vivem nas calmas! Um dia de cada vez!” Mas deixando a parte da análise da razão para que isto assim seja, creio que o que dá sentido e razão de viver é sim o SENTIMENTO. Quem não sente não vive, não tem nada a perder… pois nunca possuiu nada…

É gratificante regressar e ver que as pessoas me abordam preocupadas comigo e com o meu bem-estar enquanto lá permaneci, e ainda mais bonito é ver a reacção que causamos quando informamos que estamos bem e tudo correu sem sobressaltos… É disto que é feita a vida…de interacções com as pessoas, com o mundo…e cá estou eu a interagir convosco, para que sintam...e fico feliz por ver que o mesmo é lido, comentado e que causa um impacto na pessoa que lê e sabe que eu estou bem. "Tamos juntos, ya?"