Segunda-feira, 4 de Maio de 2009

Em Portugal

Boas tardes. 
   Informo que cheguei a Portugal dia 1 de Maio. Ja fui ao casamento do meu Xara, que me orgulho de ter estado presente.  Encontro-me no Porto até dia 5 de Maio. Vou ate Bragança e regresso ao Porto na Sexta dia 8 até 2ª. Depois pretendo descer...
    Vamos ver como corre a vida de férias num rectangulo quentinho em crise.
     Abraços e beijos. Vemo-nos na queima!

Sábado, 21 de Março de 2009

Tolerância de ponto devido à visita Papal

     Hoje foi uma sexta feira diferente depois de anunciada a tolerância de ponto em Angola, devido à visita do Papa Bento XVI. 
     Comecei o dia pelas 7:30 e tive um pequeno almoço com torradas, tomate e vinho do Porto, preparado pelo Cheff Ricardo. Pelas 8:20 estava já num apartamento do Kinaxixe onde tinha ocorrido uma inundação devido ao entupimento de um tubo. Juntamente com o novo encarregado tentamos ver qual a melhor solução. Quanto tudo apontava para uma intervenção de fundo na limpeza das caixas do prédio, aquando do dialogo com um dos representantes do condomínio, aparece uma dúzia de pessoas às janelas já a tentar equacionar o que se poderia passar. Rapidamente nos apercebemos do buraco onde nos iríamos meter e mudamos a estratégia de resolução da situação optando por escoar para outra prumada...
     Depois do assunto encaminhado, fui até uma moradia na Praia do Bispo para ver a montagem dos móveis de uma cozinha e os trabalhos realizados pelo novo membro da equipa que iniciou com a montagem de pladur num compartimento.
     Pelo meio destas andanças das "obritas" das casas já tinha efectuado dezenas de telefonemas para evitar uma derrapagem no planeamento da pedreira no Zenza, onde recebi a instrução de montagem de peças que careciam da betonagem das respectivas bases. O encarregado tinha “abandonado” o local de trabalho com a explicação de que os trabalhadores tinham ido a Luanda para ver o Papa. “Neste dia todos os trabalhadores se converteram ao Catolicismo!”- disse eu, brincando com ele. Como ele estava perto do Zenza baixei a instrução de que as betonagens tinham mesmo de ser efectuadas e que ele regressasse ao local e recorresse à mão-de-obra temporária para efectuar os trabalhos. Já depois de ter ido à praia na Ilha de Luanda para 2 banhos e uma conversa com 2 colegas de trabalho, cujo tema se baseou na organização da empresa, fiz uma chamada e tinha já a mão de obra disponável para a betonagem e mais blocos para possibilitar a montagem de casas para os futuros alojamentos do pessoal.
     Pelo telefone ainda deu tempo para providenciar alojamento a 3 chineses que montarão uns contentores alojamento no estaleiro. De regresso a casa é tempo de lanchar pelas 16h. Mais tarde vamos procurar um super mercado aberto para as compras de fim de semana. 
     Encontramos uma cidade vestida de branco com t-shirts alusivas à visita. Um ambiente festivo e muita animação nas ruas. A rotunda principal da cidade (1ª de Maio), onde o Papa móvel teria de passar, estava preenchida por uma mancha de pessoas à espera do momento onde poderiam ver o Santo Padre.
     Eram 18h e estava eu de chave inglesa na mão, transformado em Mitchado canalizador. Fui a casa do Neto resolver a maca de uma torneira que não funcionava, para possibilitar um banho sem molhar o cabelo. Ficou resolvido o problema com recurso a coca-cola que usamos para desentupir o misturador da banheira. O Ricardo instalou o itunes enquanto a mana Sandra trabalhava noutro PC.
    De volta a casa deu tempo para ver um filme, jantar e ir buscar o convite para o encontro de jovens com o Papa no estádio dos Coqueiros. Este acontecimento será possível graças ao empenho do meu amigo Ricardo e do Brígido que providenciaram a entrega do convite aqui em casa. Vou ter acesso VIP pela bancada nº1!!! Vou estar no estádio amanha pelas 13h para ouvir a mensagens de Sua Santidade aos jovens.
     Antes de adormecer falei para a família em Portugal para mandar beijos de saudade e dar as novidades. Mais tarde o Cheff Ricardo providenciou como ceia uma sobremesa de café que possibilitou a escrita do blog!...
     Agora vou dormir pois, apesar da tolerância de ponto, não deu para grandes descansos...

Domingo, 22 de Fevereiro de 2009

Natal 2008

Fotos dos EUA

As diferentes percepções da realidade

O mesmo acontecimento tem efeitos distintos nas diferentes pessoas. Até ai nada de especial. O interessante acontece quando um mesmo acontecimento é lido de forma diferente pela mesma pessoa consoante o ambiente que nos rodeia. Muitos ouvem a música mas não escutam a letra. Existem mas não vivem. De forma propositada ou não, também há acontecimentos de aqui de Angola que mais vale a pensa ficar na ignorância e não ver. Esses são os casos mais complicados de miséria, que olhamos e não queremos ver, sabemos que existe e não queremos pensar...muito falta para poder mudar esta forma de pensar e de agir perante uma realidade distinta entre dois mundos.

Como uma imagem vale mais de mil palavras quero deixar aqui algumas das imagens que me marcaram nos últimos 2 meses da minha vida cheia de histórias.

1 – Viagem USA (Washington e Nova Iorque)

2 – Natal 2008;

3 – Jantarada Mitchados, Porto

Para quem ainda quer ver Angola com uma outra perpectiva, pode ainda encontrar algo em:

http://www.kiangola.blogspot.com/

Quinta-feira, 12 de Fevereiro de 2009

2 meses sem escrever

Já não escrevo há 2 meses. Já fui aos EUA, foi Natal, passamos de ano, fiz 28 anos, fui assaltado, tive um acidente de viatura, brinquei na neve e fui à praia. Mil e uma coisas das mais diversas...

A vida por si só é uma roda viva, que gira e gira conforme a água que passa no rio. Na minha muita água passou desde o ultimo post neste blog...

Sinteticamente:

12/12/2008 – Avião de Luanda-Lisboa-Porto;

12/12/2008 – Carro do Porto a Bragança;

13/12/2008 – Carro de Bragança ao Porto

14/12/2008 – Avião do Porto a Nova Iorque;

14/12/2008 – Carro de Nova Iorque a Washington;

FOTOS LINDAS

21/12/2008 – Avião de Nova Iorque ao Porto;

21/12/2008 – Carro do Porto a Bragança;

25/12/2008 – NATAL em Bragança;

27/12/2008 – Carro de Bragança ao Porto

27/12/2008 – Jantarada dos Mitchados;

29/12/2008 – Carro do Porto a Bragança;

31/12/2008 – Carro de Bragança ao Porto;

ANO NOVO no Porto;

Roubo do telemóvel;

03/01/2009 – Carro do Porto a Bragança;

05/01/2009 – Carro de Bragança ao Porto;

Perda temporária do Passaporte;

06/01/2009 – Carro de Cortegaça ao alto de espinho as 23h;

07/01/2009 – Avião Porto-Lisboa-Luanda

Já em ANGOLA

Dia 7/01/2009 – 23:30 – Entrei em casa (Kinaxixe) e constatei que a mesma tinha sido assaltada, tendo os bandidos entrado pela janela e roubado o que podia passar nessa abertura. Entre outros pertences destacou-se a quantidade de calçado, roupa, produtos de higiene, produtos informáticos e um disco rígido de 500 GB;

Dia 8/01/2009 – 00:15 – Deixamos 2 seguranças da Gipaka em casa;

Dia 8/01/2009 – 13:30 – Almoço no Cacuaco onde se falou sobre a ideia de arranjar uma recompensa a quem souber do paradeiro do disco e de umas sapatilhas de que eu gostava;

Dia 8/01/2009 – 23:00 – Ideia de colocar um anuncio na rádio partilhada com o Neto;

Dia 9/01/2009 – 14:00 – Falei com o PP sobre a possibilidade de colocar um anuncio na Rádio;

Dia 9/01/2009 – 15:30 – Vou até a casa assaltada e falo com os miúdos da rua tendo informado que

dava uma recompensa de 1000 USD a quem me der o disco rígido, deixei o meu contacto 929;

Dia 9/01/2009 – 21:00 – Recebo uma chamada para o meu 929 do numero 917.438.xxx a dizer que era um inspector da DNIC que pertencia à 3ª esquadra e se chamava Domingos. Afirmou que estava em posse de bens que tinham sido obtidos de um assalto e tinha investigado até obter o meu contacto nos miúdos do prédio. Disse que não podia entregar o disco na esquadra e que estava disposto a encontrar-me comigo noutro local. Disse que queria a recompensa. Depois falo tambem outro homem com modos mais rudes do mesmo numero para me persuadir a encontar durante a noite. Disse que não me encontrava em Luanda.

Dia 9/01/2009 – 23:00 – O Neto liga-me e afirma que a Sandra ouviu um anúncio na Rádio em que ofereciam uma recompensa de 1000 USD por uns pertences e terem falado numas sapatilhas;

Dia 9/01/2009 – 24:00 – Liguei ao indivíduo e combinamos um encontro no local e hora à escolha do mesmo – Hotel Alvalade 11h; perguntei qual a marca do disco e ele afirmou a correcta – Iomega, o que indícia que este tenha o equipamento;

Dia 10/01/2009 – 1:50 – Recebo uma SMS a dizer que tinha de levar 80.000 Kz para o encontro, ele faz uma chamada mas eu não atendo pois estava a dormir ;

Dia 10/01/2009 – 11:00 – Vou ao hotel com os valores e o meu computador para verificar a informação contida no disco. Vou no meu Toyota Hylux com o Sr, Simões, levo o segurança Ramos e o Neto e a Coelho ficam a tomar um copo dentro do bar com o segurança à porta. Depois de muitos minutos ao telefone eles fazem com que venha para o exterior do hotel. Mas não deu em nada e fiquei fulo! Muitas mensagens trocadas de insultos mutuos.

Dia 13/01/2009 – Tive uma reunião com os Chineses em Kilamba Kiaxie o meu colega NP foi ter com ele ao Hotel. Depois de uma primeira tentativa falada la vai uma segunda e consegue recuperar o disco rígido. São 500 GB. Vou tentar partilhar algumas fotos das aventuras já vividas.

Quinta-feira, 11 de Dezembro de 2008

A escrever no aeroporto de Luanda

     Estou agora a escrever este post no aeroporto de Luanda. Mais uma jornada em terras africanas cheia de aventuras. Sem ter tempo para parar e escrever...deixo apenas uma das ultimas viagens.

     No outro dia (4 e 5 de Dezembro) fiz uma volta para ver a Pedreira do Zenza, a obra de Lucala (já a funcionar) e o inicio da terraplanagem de Camabatela. O projecto no qual estou envolvido – Agua para Todos - proporciona estes passeios que possibilitam ver paisagens belas e únicas. As estradas (as que existem) tornam a viagem um desafio e o carro tem de estar a altura dos acontecimentos. Dirigi sozinho até ao Zenza o Land Rover Defender!

     Dormi num contentor de estaleiro, depois de adormecer ao som de uma chuva que me fazia sentir uma pipoca gigante dentro de uma panela - “plac, plac!” gotas grossas e fortes com um ritmo cadenciado...

     Pelas 6 horas toca a acordar e tomar o pequeno almoço com uma vista do interior da selva e um sol de invejar. Pouco depois junto-me ao Eduardo e começamos a trabalhar. Linhas de produção a montar, maciços a betonar, paredes a levantar, zonas a compactar....bla, bla, bla até pelas 10:30 onde pego no sub empreiteiro do ferro e sigo para Lucala. Alguns Kms andados e chegamos a Lucala pelas 13 horas. Estivemos com as autoridades locais que nos elogiaram pela “maravilha ali plantada”.Agua é dos bens mais necessários por estas terras. A Estação de tratamento tinha sido instalada no dia anterior e já estava a debitar água tratada...bebi um trago e gostei, felizmente não soube a nada!!! Junto-me ao Sr. Neto que conduzia tambem um Land Rover e caminhamos para uma reunião com outra empresa. São 14:50 e paramos numa terra chamada Samba Caju para comprar uns pacotes de bolachas e beber umas águas pois os almoços tem de ser marcados no dia anterior no restaurante que encontramos aberto. Menos mau que a barriga já não rosnava.

     Chegamos a Camabatela pelas 16h e vejo o movimento de terras e tenho de proceder a re-orientação da base. Feito um telefone sou projectista e encarregado de implantação desta Estação. Seguimos para resolver alguns problemas de alojamento do pessoal na localidade, pois o gerente da coisa quer cobrar mais pelos fracos serviços prestados. Podem imaginar um quarto sem janelas e a pagar cerca de 40 € por noite sem pequeno almoço! Preços de Angola! Depois da coisa assim meio resolvida, decidimos seguir viagem e programar o jantar no Uige. Terra por mim conhecida dada a jornada das eleições. Chegamos ao restaurante e os meus camaradas de viagem ficam admirados quando entro e: “Por cá inginheiro!” disse logo o recepcionista. “De passagem e com fome” - respondi eu. Outros seguiram-se e ainda deu para cumprimentar os médicos cubanos que se encontram em missão de dois anos na localidade que tinham chegado no inicio de Setembro. Foi quando o colega Vunge pediu para ser o primeiro doente de uma médica, ao qual ela respondeu: “Perdona, pero soy ginecologa!” risada geral de fazer chorar lágrimas...

     Jantados e seguimos para Luanda pelas 22:30. Longa viagem essa! Paragens aqui e ali, sempre que dava o sono. Deu ainda tempo para conhecer mais um fruto. A JACA. Grande, pastilenta, gostosa e cheia de gomos e caroços lá passou no esofago algumas vezes. Devido à cola que ela deixa lavamos as mãos com recurso ao gasoleo que o Neto trazia e ainda metemos 20 litros para possibilitar a chegada a Cacuaco.

     Eram 3:30 e estava a deixar o bolide no Cacuaco para ir para casa. Cheguei a casa pelas 4:10 e deitei-me para pouco depois acordar...Eram 6:30 e o despertador toca – tinha de voar.

     Pouco mais de 2 horas de sono e toca a levantar. Fomos até ao Huambo de helicóptero. Voamos num Sikorsky S-92. Que paisagens...que cenas durante a viagem...infelizmente o cartão da minha máquina estava cheio e não estou autorizado a partilhar as fotos daquelas pessoas que se encontravam a dormir no heli e foram fazendo certas figuras... Estou a espera de poder partilhar o filme realizado pela camera-woman e realizadora Inês.

     Depois de um almoço tardio onde houve quem pudesse provar uma francesinha fui brincar com o Nelito. Um miudo que à poucos dias tinha feito 5 aninhos. Peguei-lhe pela mão e la fomos ao parque. Chegamos e entramos quando deparo com uma jovem: - “são 20 kwanzas!” olho para o Nelito com os olhos cabisbaichos e digo-lhe que tinha deixado a carteira no restaurante e tinhamos de sair. Ele fica triste e dá-me a mão. Ao cruzar o portão de saída olho para o chão e vejo 50 Kwanzas. Não sei quem os la deixou, mas proporcionou um grande divertimento durante 10 minutos! Baloiço, escorrega, cavalinhos e muitos sorrisos!

     Terminada a folia era tempo de descanso. Fomos alojados na moradia do Cristovão e da Zulmira.

     Um agradecimento especial ao casal que me recebeu a mim e ao Ricardo que nos facultou a sua despensa e alojamento. Um muito obrigado aos dois. Gostei imenso de cozinhar comida peruana.

      O almoço de domingo foi preparado por mim, pelo Ricardo, pela Aimy e pela Zulmira. Que maravilha. Não foi pela causa que tivemos que comer, mas sim pela vontade de partilhar um excelente bocado de tempo com amigos e colegas. A vida é feita desses pequenos momentos onde partilhamos as histórias e fazemos planos para o futuro. Viagens eram programadas, aventuras contadas...gostos, feitios, crenças e sensibilidades partilhadas com um entusiasmo de nos transportar para locais longínquos.     De regresso a casa pelas 18 horas foi tempo de descansar...e preparar a ultima semana de trabalho em Angola.

     São agora 20:33 e estou rodeado de gordos americanos a caminho do Texas. A comer batatas fritas e a beber coca cola. Parece que já estou a ser preparado para o impacto duma diferença abismal.

Sábado, 22 de Novembro de 2008

Dois sábados diferentes

Há uma semana atrás eram 8:30 e estava eu a andar a pé em direcção ao escritório. Desde as 9:00 até as 12:30 estive retido para tratar de assuntos pendentes da semana e preparar a semana seguinte. A chefe dá as orientações necessárias e pede trabalho feito. Dou datas de previsão da conclusão de trabalhos mediante aquilo que posso fazer e que podem fazer por mim.

Chegada a hora de almoço tenho ainda tempo de visitar 2 ginásios e optar por aquele que fica na Ilha de Luanda. (Até hoje, passada uma semana, ainda só fui uma vez!) Depois do almoço fomos ver uma casa pre-fabricada para analisar a qualidade do material. Deu para comprovar que o polivan estava bem montado dando pancadas introduzindo dinâmica no painel. Risada gerak pelo sucedido! Depois disso creio que vim para casa cuidar da roupa...lavar uma e estender outra máquina para passadas umas horas a apanhar (aqui o clima é tão mau que permite que as pessoas estendam uma máquina de roupa e passadas algumas horas a roupa esteja seca). Recebo uma mensagem para ir a uma jantarada. Decido aceitar. Tenho ainda tempo para ver a vitória do Porto e o início da derrota do Sporting contra o Leixões!!! Fui até casa da Sra. Jornalista onde encontrei pessoal de diversas nacionalidades e distintas áreas de negócios. Uns a trabalhar por contra própria e outros a serem treinadores de futebol, passando por sub-contratados de petrolíferas até à malta da construção. Havia noruegueses, romenos, franceses, brasileiros, colombianos, espanhóis, angolanos, portugueses, bulgaros... e elas também! Depois de jantar ainda fomos até ao PUB – Chill Out onde conheci mais uma colega de faculdade há 3 meses em Angola! Mais malta conhecida e mais um copo, mais animação e mais outro. Trocam-se uns contactos e regresso a casa pois o despertador tinha hora marcada para as 9:00.

Eram nove e trinta e tal e recebo uma chamada a perguntar se já estava pronto. Um colega tinha-me convidado para ir comer carne de caça! Rapidamente me arranjei e desci do 1º andar mesmo em jejum! Fomos buscar um outro colega de outras paragens; (num bairro que quando chove não se circula lá dentro dada a quantidade de lama criada)! Apanhamos um 4º elemento e lá fomos ate à Ecocampo. Almoçamos das 13:00 até as 23:00. Até parece mentira mas é verdade (tirando os curtos minutos que adormeci no sofá devido ao cansaço.). Terminado o jantar no qual não entro em grandes descrições: tinha carne de cordeiro, muito camarão, alguma cerveja e um café que teve a desgraça de não me ser servido. Estava eu a misturar a chávena com um pouco de café e uma gota àgua. Fiquei com uma queimadura no braço devido à queda da tampa do bule e o derrame de toda a agua a ferver... Altas dores e um forte trincar de dente. -Põe vinagre!! - gritava um – É melhor gelo! -retorquia outro. Mas o melhor para aliviar a dor era manter a mão sob agua fria corrente. Quando a tirava parecia que estava a arder. Um telefonema distinto a meio da tarde deixa uma colega assustada quando lhe transmito: estou numa casa particular não sei bem onde, perto de Cacuaco, num quarto com 3 espingardas e vou para casa de boleia não sei a que horas! Não era minha intenção preocupar a amiga mas a fraca ligação telefónica e a voz trémula fez com que isso acontecesse. Pelas 24h dormia profundamente em meus lençois.

E mais outro Sábado.

Hoje o dia foi dedicado ao trabalho. Fui de boleia com uma colega até a sede de uma empresa do Grupo. Encontrei o meu carro mas antes de sair para o escritório ainda encontrei um anterior colega de trabalho para trocar umas impressões sobre o andamento dos afazeres. Vou até ao escritório onde troco impressos com a chefia e mando uns e-mails e imprimo uns elementos. Saio em direcção ao Cacuaco pelas 10:30. Chego à zona da Mulemba e deparo-me com um engarrafamento enorme. Trabsito literalmente parado. Não andei um metro em 40 minutos. Este tipo de engarrafamentos é susceptivel de assaltos e resguadei-me para o interior de um complexo existente. Ainda pensei em almoçar por lá e ir mais tarde... mas acabei por encarar o engarrafamento e almoçar com os colegas em Cacuaco. Depois fomos ver as duas obras de reparação das casas. Na Ecocampo e na CAOP vi o devagar-devagarinho da sinfonia de Angola. Tudo soava a lentidão e demora! Nenhuma das músicas era de agrado dos meus ouvidos e fomos de regresso ao PTC. Delineamos quais os principais trabalhos a efectuar e os prazos respectivos...Conversa entre conversa e um desabafo daqui e outro dali... A VIDA É UMA DÁDIVA que temos de ter a capacidade de saber agradecer. De ver o que existe à nossa volta e ter a percepção de como somos privilegiados face a uns e uns coitados face a outros. Fácil é ter uma perspectiva negativa e dizer que somos sempre coitados..outra perspectiva é lutar diariamente para que possamos ser sempre melhor! Quero pertencer sempre ao 2º grupo mas por vezes sinto-me conformado com a minha incapacidade de mudar certas ocorrências que me rodeiam. Mesmo assim tento tirar as melhores ilações do sucedido para não tornar a repetir o erro.

Termino reforçando a ideia de que a A VIDA É UMA DÁDIVA e que devemos aproveita-la!

Agora vou tomar um banhinho para ir jantar à ilha e abanar um pouco o capacete. È fim de semana e tenho de aproveitar.

Terça-feira, 11 de Novembro de 2008

Um dia de S. Martinho diferente!...

Hoje eram 5:30 e já estava levantado. Apesar de ser feriado em Angola (11 de Novembro de 1975 foi a Independência de Angola) eu decidi ir trabalhar para ver o andamento dos trabalhos em Porto Amboim e Gabela. Vim com o Sr. Henrique e saímos de Luanda bem cedo para evitar o trânsito. Mesmo assim ainda estivemos em filas na zona de Benfica. Fomos até ao Miradouro da Lua onde tive a oportunidade de recordar aquela bela paisagem lunar. Pena é o que o pessoal não saiba manter expurgado o local e deixem o lixo a solta. Passamos a ponte do Rio Kwanza e eu cedi o volante, dado ter os olhos com vontade de se fecharem de cansaço. Soube mesmo bem dormir aqueles momentos preciosos e dar liberdade aos sonhos! Chegados a Porto Amboim foi um descalabro: a visão da parede que serpenteava o talude e curvava-se para pedir permissão de ficar mais aprumada… Descascadelas à parte, seguimos para Gabela dando ainda tempo de testar os pneus no lamaçal da entrada da ETA, pondo à prova a perícia do condutor! Reunimos com o Tom onde nos explicou dos trabalhos a executar. Almoçamos 1 sandes mistas para poupar tempo e seguimos para Kibala onde chegamos já perto das 15h. Falamos com o Encarregado onde nos contou que desde à 4 dias que não trabalhava devido à intensidade da chuva no local!... Demos as indicações que consideramos essenciais e implantamos a obra num novo local, para facilitar a compactação. Seguimos com intenção de visitar Calulo mas o Sol baixou mais depressa que a minha Hilux e seguimos até ao Dondo para procurar estadia. Depois das indicações precisas do meu homónimo fomos até Cambambe onde tínhamos agua quente mas já não apanhamos jantar. Depois das 21h tudo fechava e nos desesperados por comida, apenas com umas sandes no estômago. Fomos à procura e o melhor que consiguimos foram mais 2 sandes de fiambre. Vieram para a mesa 2 sandes para cada um. Pedimos a manteiga e apareceu de seguida. Depois perguntamos se não tinham salsichas ou algo mais para colocar no pão. Disseram que não mas mesmo assim atiramos o pedido atum que serviram juntamente com maionese. Era agora ou nunca para matarmos a fome. Comemos sandes de fiambre com atum e manteiga que estava completa com o pormenor do pão descongelado. Bebemos 2 EKAs para dar o sono e fomos dormir… que dia de São Martinho … Creio que só faltaram as castanhas e o vinho!